domingo, 27 de março de 2016

Intuitivo... como assim?

  versus 


Minhas postagens estão com um intervalo de algumas semanas... e isso tem uma razão. Vivemos na era tecnológica e somos inundados diariamente por dezenas de informações de diferentes canais (TV, celular, computador).


Por meio da sincronização das informações podemos receber as notificações de email, Facebook e etc... no celular, tablet e desktop, basta você estar com seu login ativado. Os sistemas operacionais são desenvolvidos para nos auxiliar a produzir mais num menor intervalo de tempo.

Aquela informação que você viu há um minuto, já está lá no final da lista de notificações porque no minuto seguinte chegaram outras mais. Por isso, a minha percepção é que a postagem que faço necessita de um intervalo antes que ela seja ocupada pela próxima. Cada post necessita de um tempo de propagação, reverberação, "metabolização", introjeção, aceitação (ou não) para daí sim um novo post ser publicado e você ser notificado.

Essa percepção da realidade está relacionada com a intuição. A intuição é uma qualidade que todos nós temos, nascemos com ela, por isso, está ao alcance de todos. A intuição sempre nos orienta para o caminho certo, é a linguagem da nossa essência.

Você já deve ter notado que os sistemas operacionais estão cada vez mais intuitivos.... afinal de contas eles são desenvolvidos por e para seres humanos. É interessante observar que algumas pessoas percebem o quanto seus aparelhos eletrônicos correspondem boa parte de suas expectativas e, em contrapartida, não percebem o quanto o seu corpo também é um "aparelho" super eficaz.

O corpo humano é composto por milhares de células sendo que cada uma é um organismo vivo. Cada célula tem uma inteligência própria e funciona intuitivamente, sem você precisar pensar a respeito. Nosso cérebro tem um sistema operacional mega eficaz que comanda um corpo capaz de se adaptar a qualquer situação.

É comum subutilizarmos os aparelhos eletrônicos por não conseguirmos acompanhar a evolução de todas as funções. Assim também é o nosso corpo, subutilizamos ele por não escuta-lo, por não desenvolvê-lo, por não ter um diálogo com atenção plena com ele. Os aparelhos estão em constante renovação e atualização, são praticamente descartáveis, podemos comprar um melhor a qualquer momento se necessário. Nosso corpo é único, outro igual não existe. Nosso corpo é tudo o que temos desde que nascemos, de graça, sem nenhuma parcela a pagar.

A questão é que estamos muito ocupados produzindo conhecimento, tecnologia e desenvolvendo nosso intelecto. E não estamos dedicando tempo para conversar com nosso corpo, prestar atenção ao que ele está falando e nos conectar com a nossa essência. Estamos dedicando muito tempo plugados em mídias sociais, informação, trabalho e produção.

As vezes é necessário o corpo adoecer para você parar e dar o tempo que ele tanto pediu e você não escutou. O corpo é muito sábio. Está aí a importância de refletir sobre como você cuida do seu corpo. A fluidez da conexão mente e corpo está comprometida pela rotina acelerada do mundo tecnológico. Uma pausa se faz necessária para você dialogar com o seu corpo e restabelecer sua conectividade com a mente.


Falaremos mais em breve!

Livros-referências desse post:
Osho. Intuição. O saber além da lógica. 2014.
Ricardo José de Almeida Leme. Saúde é consciência. 2012.

sábado, 5 de março de 2016

O que é saúde?

Resultado de imagem para what is health





Tive a oportunidade de trabalhar num projeto de prevenção de transtornos alimentares em escolas públicas na capital de São Paulo. Foi um projeto lindo de uma amiga nutricionista que admiro muito! Um dos nossos objetivos era aumentar o nível de atividade física de meninas adolescentes e isso foi um grande desafio!

Foi super interessante entrar em contato com o mundo delas, aprendi demais, tanto exemplos bacanas quanto preocupantes. A parte bacana foi a super troca de experiências que tivemos, o carinho que recebi, a alegria de estar junto ao vivenciar uma brincadeira nova a cada dia e o quanto elas gostavam de partilhar suas descobertas.

Preocupação com tamanho do corpo cada vez mais cedo.

Quanto a parte preocupante... Para mim, especialmente, foi ver o quanto a pauta SAÚDE está desconectada do mundo da educação. Um dos temas que discuti com as alunas foi "o que é saúde para você?". E algumas alunas associaram saúde com magreza. Talvez você não enxergue a proporção desse problema. E uma das razões disso se deve ao fato de sermos influenciados pela mídia a acreditar que o segredo para se ter saúde é ser magro.

Exemplo de manipulação da mídia. Campanha Dove Real Beleza.
E o que é ser magro?

Aí está o problema maior, porque vi alunas que acreditam que corpos com tamanhos de peso corporal classificados como anorexia são saudáveis. Em outras palavras, o que é considerado peso saudável para a Organização Mundial da Saúde, para elas significava já estar acima do peso!

E o que isso tem a ver com saúde e atividade física? Para mim tudo. Ao invés de desenvolver um trabalho de aumento do nível de atividade física, tive que dar um passo para trás (aliás vários passos) e tentar transformar o significado (re-significar) os conceitos de saúde, atividade física e exercício. Afinal, como eu poderia fazer as alunas se exercitarem, se isso significava uma obrigação para queimar calorias? Pensar assim, tornava a atividade física muito chata.

A meu ver, isso é um dado muito sério. Se é na escola que esperamos desenvolver os formadores de opinião do futuro, os pesquisadores do futuro, os cuidadores e educadores do futuro, como podemos negligenciar tanto a discussão sobre saúde do ambiente escolar. Essa é uma questão de saúde pública. Já sabemos o quanto é mais econômico e fácil prevenir do que remediar.

Estou tentando fazer a minha parte e convido você a fazer a sua também. Esperar que alguém tome a atitude e faça algo por nós é ilusão. Nós somos o governo. Se cada um fizer um pouquinho, juntos seremos mais.


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Infográfico sobre os fatores que contribuem para a saúde num ambiente escolar:
Relações e ambiente, políticas públicas, ensinar e aprender, parcerias com a comunidade, limpeza e segurança, lideranças estudantis, fazer escolhas alimentares, trabalhar em equipe, atitude positiva para a saúde mental, estilo de vida ativo, práticas saudáveis, alimentação saudável, relações saudáveis, movimento/ atividade física, ir pra ação, envolver toda escola, um estudante aprende com o outro, e a importância do respeito.
Sam Bradd ilustrador. http://drawingchange.com/

Agradeço a Profa. Dra. Karin Louise Dunker pela oportunidade de ter feito parte do seu projeto de pós-doc. Obrigada Karin!

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Qual o objetivo do seu exercício?


Na maioria das vezes, a resposta dessa pergunta é emagrecer! E não há nada de errado em praticar exercícios para auxiliar na manutenção do peso corporal, aliás é uma alternativa muito saudável, desde que sejam respeitadas as doses de quantidade e intensidade do seu treino, além dos sinais do seu corpo.

A questão que levanto para nossa reflexão é a motivação principal que faz as pessoas praticarem exercícios.

O desejo de ser magro leva muitas pessoas a praticarem exercício apenas por obrigação. É muito comum encontrar alguém treinando na academia porque se sente na obrigação de queimar as calorias de alimentos "proibidos" ingeridos no final de semana, ou ainda, porque precisa manter o peso da balança igual ou menor.

É interessante observar que, em geral, o publico que se exercita com essa intenção não está feliz com seu corpo. A busca pela magreza faz com que muitos escolham exercícios que promovam maiores gastos calóricos. Por essa razão, é comum ter alunos praticando modalidades que eles não gostam, não sentem prazer, acham chato e até sofrem por antecipação, chegam "se arrastando" para fazer aula, mas... como emagrece... então, acreditam que o sacrifício será válido. Será mesmo?

Já parou para pensar que se você curtisse e gostasse muito de praticar exercícios, as chances de você se engajar e torná-lo um hábito duradouro na sua vida seriam muito maiores?

Então, pense no seu bem-estar agora! Pense o quanto seria gostoso você estar se exercitando porque é um momento legal e divertido (sem torturas ou "sofrência"), que te deixe feliz, num ambiente bacana, descontraído, em que você se sinta acolhido (e não pressionado a alcançar um tamanho padrão).

Você é um ser especial e seu corpo é único, merece muito amor, zelo e respeito. Movimente seu corpo com alegria, permita-se deixar as obrigações longe desse momento de cuidado com você mesmo! Exercite-se por prazer!


terça-feira, 19 de janeiro de 2016

O que é exercício intuitivo?


Escrito por Paula Costa Teixeira

A minha pesquisa sobre o assunto começou depois de um convite para escrever um capítulo para o livro Nutrição Comportamental. O despertar pela busca do termo exercício intuitivo foi inspirado no conceito de Intuitive Eating criado pelas nutricionistas Evelyn Tribole e Elyse Resch. Traduzido como comer intuitivo, o conceito envolve dez princípios com objetivo de afinar a integração entre a comida, a mente e o corpo.

Nesse sentido, busquei algo semelhante porém voltado para o exercício físico. Meu primeiro achado foi um artigo de 2003 de uma revista chamada Hope and Healing. É uma publicação de um centro de tratamento para transtornos alimentares dos Estados Unidos, no qual os profissionais Nancy Heiber e Michael Berrett propõem uma reflexão sobre a prática de um exercício intuitivo.
De acordo com os autores, pessoas que sofrem de algum tipo de transtorno alimentar estão mais suscetíveis a praticar exercícios de maneira compulsiva, o que prejudica a saude física, mental e espiritual. A prática do exercício intuitivo poderia melhorar a qualidade de vida e trazer bem-estar.

O exercício intuitivo trata-se de uma atitude perante a si próprio sobre o exercício que está sendo praticado. Quando você está com a mente integrada ao corpo durante o seu momento de exercício, isto é, quando você está presente, com atenção plena voltada para a atividade que seu corpo está desenvolvendo, você será capaz de sentir se seu corpo e dosar sabiamente a quantidade.

E essa quantidade refere-se tanto ao tempo de duração da sua atividade quanto à intensidade do seu esforço. Por exemplo, se você tem o hábito de praticar corrida e está integrado (mente e corpo), conectado consigo próprio, você sentirá o seu nível de disposição e poderá escolher se naquele momento está apto a correr ou a fazer apenas uma caminhada. E mesmo se decidir correr, entender o quanto conseguirá dar conta naquele dia, ou seja, se programou correr 30 minutos, fique atento aos sinais do seu corpo para escolher e avaliar se é possível conseguir completar a meta, fazer um pouco mais ou praticar menos tempo e deixar a meta para um outro dia que estiver com maior disposição.

Portanto, o exercício intuitivo não é uma modalidade esportiva ou fitness. Trata-se de uma atitude em fazer uma espécie de "consulta" a si mesmo com objetivo de verificar se está
exagerando na quantidade do seu treino porque está obcecado por um objetivo.

Detalharei mais sobre o assunto no próximo post!

Referencias:

Hieber N, Berrett ME. Intuitive exercise. Hope and Healing 2003; 8:7-10.
Teixeira PC et al. Nutrição comportamental e atividade física. In Alvarenga M, et al. Nutrição Comportamental. São Paulo: Manole, 2015; 465-84.
Alvarenga M e Figueiredo M. Comer Intuitivo. In Alvarenga M, et al. Nutrição Comportamental.  São Paulo: Manole, 2015; 237-62.
Tribole E, Resch E. Intuitive Eating: a revolutionary program that works. New York: ST. Martin's Griffin, 2012.

Agradecimentos!
Obrigada a Ana Carolina Pereira Costa por me incentivar e me inspirar.
E obrigada também a Marle Alvarenga por ter dado a orientação que me fez chegar a esse assunto.