quarta-feira, 12 de abril de 2017

Exercício punitivo ou intuitivo?


É muito comum as pessoas praticarem exercícios físicos para emagrecer. De tão comum, se tornou normal, aceitável e até, sinônimo de vida saudável. Afinal de contas, se exercitar faz bem para o corpo e para mente. Será mesmo?
Pesquisas apontam que o exercício físico, ao invés de relaxar e trazer bem-estar, também pode estimular comportamentos inadequados para a saúde, principalmente, no âmbito mental. Isso porque a depender de como você se exercita, o seu cérebro não registra a sua atividade como um momento de pleno lazer, harmonia, relaxamento, e conexão corpo-mente.

Quando digo “como”, estou me referindo aos seus pensamentos e intenções no momento do exercício. Se ao se exercitar sua intenção é exclusivamente compensar sua alimentação, é metabolizar nutrientes, é emagrecer, é queimar calorias, você torna o exercício um gerador de neuras, uma usina de pensamentos intrusivos, um estimulador de insatisfação corporal, em outras palavras, um exercício punitivo. Assim, a conexão corpo-mente fica comprometida e o bem-estar pleno, que significa saúde física, emocional e mental, não acontece. Quando o desejo intenso de emagrecer ou o medo exagerado de engordar coexiste com o prazer em se exercitar, a saúde mental padece.

Minha experiência ao trabalhar no tratamento de pacientes com transtornos alimentares me possibilitou ver que algumas pessoas, mesmo com um estilo de vida ativo, que se exercitam na academia com regularidade e que fisicamente aparentam estar saudáveis, na verdade sofrem de uma síndrome psiquiátrica gravíssima, que exige tratamento longo (de anos) e auxílio de vários profissionais especializados.

O conceito de exercício intuitivo surge para nos fazer refletir sobre como estamos fazendo exercícios, ou ainda porque algumas pessoas nunca conseguiram se engajar numa prática regular. Para mim, o exercício intuitivo é o equilíbrio de duas extremidades: o exercício disfuncional (excessivo ou compulsivo) versus o sedentarismo.


Observe-se e questione-se sobre a sua relação com os exercícios. Buscar o seu exercício intuitivo é permitir que exista na sua vida um espaço para você se realizar, se renovar, se reenergizar, se cuidar, para você ser.

segunda-feira, 27 de março de 2017

Como se engajar em um exercício físico?






Essa é a pergunta mais frequente que recebo. E não há uma resposta pronta, precisa, uma fórmula mágica que soluciona tudo.

A resposta vai variar de acordo com a história de cada pessoa. Isso porque o seu engajamento em um exercício físico vai depender do seu estilo, do seu jeito de ser, das coisas que você gosta de fazer, das suas intenções, ou ainda das suas necessidades. E aqui vale uma pausa para refletir sobre quais são as necessidades concretas e quais são as que você acredita. Nem sempre o que você acredita é o que você realmente necessita. Falei difícil agora né?

Para você se permitir compreender o que estou dizendo, convido você a fazer a seguinte reflexão:
pause tudo agora, feche os olhos, respire fundo, devagar, sinta o ar entrar, o ar sair lentamente, e pergunte a si mesmo se o seu objetivo em praticar exercícios físicos é uma vontade genuína, um desejo de estar em contato com você, de cuidar do seu corpo, sentir seu corpo, se desafiar, aproveitar como um lazer, se reenergizar, zelar pelo seu corpo com amor e respeito, ou...
se é uma necessidade que você está se impondo, se cobrando, se obrigando, unicamente para metabolizar, compensar sua "permissão" em comer alimentos "proibidos", ou até mesmo, se punindo.

Se você se identificou com a primeira parte, bem-vindo ao exercício intuitivo!!! Você está no caminho de uma prática com grandes chances de engajamento duradouro e plenamente benéfico, para integrar o físico, o mental e a sua essência, isto é, o seu ser!

Caso você tenha se identificado com a segunda parte... não se preocupe! Esses sentimentos são muito comuns. De tão comum, chega a ser considerado como normal. Esse caminho também pode permitir um engajamento, porém, é apenas mais uma obrigação na sua vida entre tantas outras que você já possui. Seguir por esse caminho é perder a oportunidade de desfrutar do exercício físico como um cuidado pleno de si mesmo! É deixar de promover o bem no seu ser e no seu viver.

A integração mente-corpo acontece quando você se conecta com prazer, alegria, liberdade, respeito e amorosidade com o seu corpo. Se o seu exercício é punitivo, há grandes chances de ser disfuncional para a sua saúde. Pensar apenas do ponto de visto fisiológico é assumir que somos apenas metabolismo. Nosso corpo é muito mais do uma máquina de metabolizar. Somos seres humanos que se relacionam com as pessoas, com a natureza, com o nosso entorno, com a nossa vida. Reduzir a vida a metabolizar o que comemos é perder uma grande oportunidade de aproveitar a sua existência e usufruir da essência que habita em cada um de nós!

#exerciciointuitivo

quinta-feira, 2 de março de 2017

O que você vê nessa imagem?






Baseado no meu trabalho de conclusão do curso de Pós-graduação em Cuidados Integrativos da Unifesp, a artista plástica Natália Manchon desenvolveu a logomarca para representar o método Exercício Intuitivo Integrativo.

O conceito de liberdade para escolher o exercício físico que faz você SER e não apenas TER um corpo x,y,z é representado pela borboleta, que voa e se movimenta livremente, desfrutando da natureza ao seu redor.

Se movimentar por prazer, com percepção plena e fluidez são características da prática de um Exercício Intuitivo, na abordagem integrativa.

As asas da borboleta são assimétricas assim como nosso corpo, afinal de contas nosso lado direito não é igual ao esquerdo.

No canto inferior direito temos uma ponta da asa da borboleta que faz menção a um seio materno que nutre um filho. E aqui honramos a fonte de inspiração desse conceito: o Comer Intuitivo. Um método da nutrição desenvolvida pelas nutricionistas Tribole e Resch (2003).

As linhas que desenham a borboleta não se fecham, simbolizando a abertura para o novo, a fluidez e as pausas para respirar, isto é, o quanto podemos experimentar modalidades diferentes e exercitar o corpo de várias maneiras ao longo da vida.

As cores azul e laranja também foram escolhidas com um propósito: o azul representa a infinidade de opções de movimento corporal e a conexão com a imensidão azul do céu enquanto o laranja traz a intenção de intuir, renovar, revitalizar, reenergizar, revigorar, isto é, a sensação que o Exercício Intuitivo suscita no praticante. Além disso, também é uma referência a conexão com a terra. 

A cor cinza foi escolhida para nos lembrar que nossa vida é feita de luz e sombra. A dualidade está representada na figura para refletirmos que podemos acolher nossas sombras, medos e insatisfações ao invés de afastá-las e não aceitá-las.

E, por fim, essa dualidade também está simbolizada no canto esquerdo superior e no canto direito inferior, com dois círculos que fazem alusão ao símbolo do Tao, do Yin e Yang, para trazer a importância do equilíbrio.

O método Exercício Intuitivo Integrativo convida você a despertar seu corpo para o exercício físico por meio do conhecimento Ocidental, nas bases da Educação Física, e da mente, com a sabedoria Oriental da meditação.

Integrar corpo e mente para libertar sua essência dos padrões e dar fluência ao seu SER, esse é o objetivo dessa abordagem inovadora.

sábado, 26 de novembro de 2016

Uma experiência integrativa

Legenda: Marco Antônio, Acary Souza, Paula (eu), Dayita e Sissy Fontes


No dia 5 de novembro de 2016, tive a grata oportunidade de apresentar o estudo Exercício Intuitivo: uma abordagem integrativa desenvolvido na especialização em Teorias e Técnicas para Cuidados Integrativos do departamento de neurologia da Universidade Federal de São Paulo. O arrazoado teórico teve a orientação da Profa. Esp. Cíntia Bloise Hochmüller (Ma Gyan Dayita), co-orientação da Profa. Dra. Sissy Fontes e aprovado pela banca formada pelos ilustres professores Marco Antonio Ferreira Alves e Dr. Acary Souza.

Para mim, essa especialização foi uma ressignifcação de muitas teorias e crenças nos campos pessoal e profissional. Reconstruí o meu jeito de ser, a lida comigo mesma, com meu marido, meu filho, meus pais, familiares, amigos pessoais, de trabalho, alunos, enfim, com todos. Ressignifiquei a minha compreensão sobre a arte e a minha espiritualidade. Aprendi a me valorizar, reconhecendo toda a minha história, resgatei a minha ancestralidade e honrei as minhas gerações anteriores. Eu me assumi como uma eterna aprendiz!

Comecei a sentir o meu corpo de um novo lugar e a validar as minhas intuições, que sempre existiram, mas que eu nem sempre acreditava. Foi um resgate das minha origens e apropriação do meu ser. Sinto-me muito feliz, honrada e grata por ter me permitido mergulhar nos Cuidados Integrativos.

Foi uma experiência única, especial e valiosa que me tornou uma pessoa renovada e integrada com a minha essência. Também reconheci o quão especial é cada minuto da vida, e tenho aproveitado ao máximo o meu tempo dando atenção com mais qualidade ao que sinto, escuto, observo e faço.

Significou também um lindo encontro com a minha essência na Meditação Ativa. Ingressei no curso com a intenção de descobrir qual seria o meu “dom” dentre a diversidade de teorias e técnicas nas quais eu teria contato. Assim recebi a meditação ativa como um presente... e foi no dia em que assisti apresentação da pesquisa da Dayita, que me dei conta desse reencontro. Foi e é tudo muito especial dentro desse campo.

E por fim, aprendi que somos merecedores de muita prosperidade. Acredito que esse foi o ensinamento mais difícil de me apropriar, pois era uma crença muito enraizada, que necessita inclusive de vigilância e cuidado para me manter perceptiva e próxima à fonte que jorra bem-estar pleno no nosso ser.

Gratidão e honra por todo o percurso trilhado nos Cuidados Integrativos. A saudade que sinto de toda essa vivência me permite revisitar e cuidar das minhas atitudes e comportamentos, relembrando tudo o que aprendi com alegria e suavidade.

E assim floresce o exercício intuitivo integrativo. Uma abordagem que nos convida a desfrutar do nosso corpo intuitivo praticando o exercício físico que permite você plenamente SER!

domingo, 23 de outubro de 2016

Exercício intuitivo é prevenção!



O exercício intuitivo surge para fazer oposição ao exercício chamado pela literatura científica como disfuncional. Praticar exercícios na nossa sociedade é sinônimo de ser saudável. No entanto, quando o exercício é associado a uma mentalidade de dieta + extrema insatisfação corporal, o exercício é motivado, muitas vezes, por pensamentos intrusivos, neuras, feito com obrigação, para queimar calorias, e aliviar a culpa de uma "permissão alimentar. Exercício disfuncional significa praticar exercícios de forma excessiva, compulsiva, obrigatória e patológica, logo, está longe de ser uma prática plenamente saudável.

É comum as pessoas (e os profissionais de saúde) não encararem essa atitude em relação ao exercício como um problema. Porém, esse caminho pode ser perigoso e deve ser encarado como um sinal de alerta para uma ação preventiva.

Vale ressaltar que esse comportamento é diferente de uma prática classificada como dependência ao exercício. Pesquisadores sugerem que seja excluído o risco para transtornos alimentares de quadros de dependência ao exercício (dependence exercise e/ou addicted exercise). Nem sempre a prática disfuncional de exercício está ligada a um transtorno alimentar. Há estudos mostrando que algumas pessoas podem se tornar "viciadas" pelo exercício devido a ação de neurohormônios no eixo hipotalâmico-hipofisário (atuando em glândulas endócrinas importantíssimas para o nosso organismo). As pesquisas estão avançando para um consenso, mas nada oficialmente formalizado por organizações de saúde internacionais, ainda há muito para ser estudado nesse campo. 

O exercício intuitivo é uma abordagem preventiva, com foco na saúde e não na doença. É um convite para a gente refletir a respeito da prática de exercícios e poder usufruir plenamente de todos os benefícios que a prática regular e adequada desperta na nossa saúde.

Algumas sugestões de artigos científicos para saber mais:

Hausenblas, H. A. & Downs, D. S. (2002). How much is too much? The development and validation of the exercise dependence scale. Psychology & Health, 17(4), 387-404. 

Hausenblas, H. A., Cook, B. J. & Chittester, N. I. (2008). Can exercise treat eating disorders? Exercise and sport sciences reviews, 36(1), 43-47.

Todos os artigos da equipe norueguesa referência no assunto: Sundgot-Borgen e Bratland-Sanda.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Exercício Intuitivo com atletas? Será?




Sim, é totalmente possível!

Essa imagem retrata a diversidade corporal dos atletas. É impressionante a variação de alturas, pesos, formatos e proporções corporais de cada modalidade esportiva. Nesse sentido, o esporte é para todos! Todos os biotipos corporais se encaixam em algum esporte, afinal de contas, existem centenas de modalidades esportivas (apesar de pouco mais de 30 serem olímpicas). O problema começa no momento em que um determinado corpo tenta se encaixar num esporte que exige um biotipo diferente.

Por exemplo, uma pessoa com alta estatura querer praticar ginástica artística. O corpo de baixa estatura se destaca com mais facilidade nas acrobacias e movimentos exigidos no alto rendimento. Sendo assim, atletas altas que praticam essa modalidade, raramente aparecem na mídia pois, não se destacam tanto em competições internacionais.

Ainda usando o exemplo da ginástica artística, existe a crença de que sua prática torna os atletas baixos; assim como a natação torna os ombros dos atletas muito largos, e por aí vai... Essas crenças são mitos. O esporte seleciona naturalmente as pessoas que possuem formatos corporais que se encaixam com os movimentos exigidos pela modalidade. Isso significa que, quando o corpo casa com a modalidade apropriada ao seu formato, há uma fluência natural e o rendimento do atleta, aliado a um bom suporte de treinamento e apoio financeiro, transformam-se em destaques internacionais.

Mas, infelizmente, nem sempre esse casamento - formato corporal (biotipo) e modalidade esportiva - acontece de maneira feliz. Por motivos variados, é comum uma pessoa optar por praticar um esporte que exige mais do que o seu corpo suporta, ou ainda, a modalidade seleciona um biotipo que não condiz com o do atleta. E aí, muitos problemas começam a surgir, devido ao esforço excessivo que o atleta se sujeita. E então, o atleta adota comportamentos perigosos para a sua saúde, que quando associados a uma genética suscetível a doenças, resulta em consequências graves, como transtornos alimentares, depressão, problemas ósseos, musculares, articulares e hormonais.

O exercício intuitivo incentiva a experimentação de um maior numero possível de movimentos, habilidades motoras e esportes. Quanto mais o corpo sentir a grande variedade de movimentos possíveis, maior a chance de encontrar o esporte ideal, que condiz com seu biotipo.

A consequência de um casamento entre esporte e biotipo adequado resulta em engajamento, bem-estar, fluidez, satisfação, prazer, rendimento, realização, superação, conquistas, felicidade e, especialmente, a integração mente e corpo, além de acessar a conexão com a sua essência!








sábado, 25 de junho de 2016

Por que um exercício intuitivo?





O exercício intuitivo surgiu por conta do grande numero de pessoas que buscam o exercício apenas como um meio de compensação alimentar. É muito comum as pessoas escolherem um plano de exercício baseado apenas na quantidade de calorias que serão queimadas. E isso aumenta muito as chances de tornar o momento do exercício uma obrigação, uma chatice, um desprazer.

Quando você decide fazer um exercício por causa das calorias, é muito fácil desistir, não engajar, e pior... criar uma aversão pelo exercício.

A empolgação inicial até faz com que você feche um plano extenso, de vários meses, mas... você vai conseguir ir uns dois meses e olhe lá... Com isso vem também a frustração, ou seja, mais uma coisa negativa que dificulta a conquista de uma relação prazerosa com o exercício.

A busca por prazer no exercício dá trabalho como tudo na vida. Porém, é um trabalho muito bacana! Você precisa apenas adotar uma ação simples: se permitir!

Permita-se experimentar diferentes atividades, modalidades, aulas, esportes, professores, abordagens, enfim... permita-se variar, diversificar e pesquisar tudo o que existe.

Vai ter uma hora que você vai sentir um calor interior, uma fluidez, uma alegria, uma satisfação, um prazer, um estado em que parece que todo seu corpo está se reenergizando e funcionando a todo vapor, uma conexão entre corpo, mente e essência. A sua essência!

Quando isso acontecer você terá encontrado algo muito especial: você mesmo! Sim, porque praticar um exercício que te alegra e te dá prazer é estar conectado consigo mesmo, é estar envolvido num encontro com você, e só você importa nesse momento.

Esse benefício ninguém poderá conquistar por você. Só você, se permitindo experimentar poderá se religar com a sua intuição!